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quinta-feira, 24 de março de 2011

Realismo Bizarro

Salvem Li Wei, que o cara tá possuído!

Enfrentar os limites do corpo, do horizonte, da percepção, lutar contra a lei da queda livre, da gravidade, do pei-buf é o desafio imposto por Li Wei a ele mesmo. É perfomático. Mas, antes do corpo pender para a esquerda ou direita - ou, por que não? para baixo -, existe a foto. Plec. Tá feito o trabalho. Preciso ressaltar que não. Não há Photoshop. É tudo feito no A + B, no realismo mesmo. Por mais que seja bizarro.

Algumas fotografias atingem as suas impossibilidades através de truques fotográficos que se utilizam de espelhos. Cabos, andaimes e acrobacias (claro!) também são usados.

O artista nasceu em Hubei, China, nos anos 70. Sua primeira série de trabalhos foi "Mirroring". Depois, "Falls", um dos seus últimos trabalhos. Hoje, Li Wei mora em Pequim e é um dos representantes da arte contemporânea de lá.
Massa, né?


(Falls)

(Falls)


(Mirroring)

(Mirroring)

(Mirroring)

domingo, 20 de março de 2011

Arte no Japão pós-tsunami

Artistas são artistas. Só tenho isso a dizer. Gente que aspira à arte, mas vê que não tem talento, vai ser jornalista cultural, curador, crítico de arte, pesquisador cultural... Vai inventar de falar de arte. Às vezes, a gente merece um "cala a boca, menino", porque quem muito analisa acaba saindo das fronteiras do mágico. Mas deixar de falar é um exercício inaceitável.

Então aqui vou eu... Fico impressionada como a arte tem um poder recuperativo veloz. Digo: o mundo está se acabando, e a arte já o está reconstruindo. É assim. Ela não se dá ao direito de deixar os fatos da vida ao Deus dará. Ela se veste de Deus e dá a forma. Foi assim com o "pense no Haiti, reze pelo Haiti", enquanto o Haiti se acabava, com o "amanhã vai ser outro dia", e o Brasil ainda amordaçado pela ditadura... E com Guernica, U2 em Sarajevo, Valsa com Bashir... Et coetera, ad infinitum, não dá para fazer listinha.

Refuçando do avesso o The New York Times, achei uma relíquia que me associou diretamente a uma matéria que fiz pra Revista Zena há um tempo. Eu falava do furacão de criatividade que assolou novamente Nova Orleães, Estados Unidos, após o Katrina. Surgiu o mascote Kat Rina, um gato que consegue desorganizar tudo, e vários pintores passaram a se dedicar ao tema do furacão. Massa. Mas o que me lembrou a matéria da Zena foi a do The New York Times, que mostra o tratamento artístico de dois artistas japoneses ao recente tsunami que aconteceu no Japão.

Tatsuro Kuichi e Yuichi Yokoyama fizeram reinterpretações lindas, mostrando uma desordem colorida,

(Yokoyama)

e uma confusão que, além de físico-externa, possui ordem emocional.

(Tatsuro)

(Tatsuro)

Em Nova Orleães, o que se viu foram artistas maravilhosos, como Terrance Osborne, Natalie Boos e Vigo Boom.


(Terrance Osborne)


(Terrance Osborne)

Os caminhos da arte que, quando não se cruzam, se intercruzam.

Para ler a matéria da Zena, clique aqui.
Para ler a publicação do The New York Times, aqui.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Neshat


Fotógrafa e videoartista, Shirin Neshat nasceu no Irã, em 1957, numa família de classe média alta. Quando a Revolução Iraniana eclodiu - e vestiu mulheres com sufocantes burcas -, Neshat foi para Los Angeles, Estados Unidos. Foi lá que construiu a sua vida. Mas foi no ano de 1990 que tudo mudou: de volta para o Irã, Shirin se deparou com uma sociedade praticamente desconhecida, já que se deslocou para a América antes de ver as mudanças ocasionadas pela Revolução.

"Essa foi provavelmente uma das experiências mais chocantes que eu tive. A diferença entre o que eu lembrava da cultura iraniana e o que eu via era enorme. A mudança era tão assustadora quanto excitante; eu nunca estive em um país tão enraizado em uma ideologia. Mais perceptível, é claro, era a mudança na aparência física e no comportamento público das pessoas"

A partir do contato com o universo simbólico do seu país-origem, Neshat deu início ao seu primeiro corpo de trabalho, Women of Allah Series, que, a partir do uso imagético de poemas persas e armas, procura, respectivamente, questionar pontos como exílio e martírio e lembrar à sociedade que, por dentro das burcas, a rebelião está viva.




Em seus trabalhos, Neshat analisa a submissão da mulher causada pelo discurso simbólico muçulmano, a união mais estreita entre elas devido à situação opressora e a liberdade em estado latente. Além disso, aborda a complexidade dos contrastes, como a relação homem e mulher, Ocidente e Oriente, luz e sombra, preto e branco.

Além de fotógrafa, Shirin compôs alguns curtas-metragem, como Women Without Men e Zarin. O primeiro aborda a complexidade da união de forças religiosas, políticas e sociais que se impõem sobre as mulheres muçulmanas. Já Zarin, feito recentemente, mostra um aspecto mais amadurecido de Neshat quanto às mulheres árabes, que são mostradas não só como vítimas, mas também como seres dotados de força e humanidade.

Zarin Series

Zarin Series