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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Fauxmo-Erotic: Ontani


Luigi Ontani incomoda profundamente. Representante da cena artística italiana dos dias atuais, Ontani, como escreveu Nicholas Cullinan em crítica à Frieze, “situa-se historicamente entre a assexuada Arte Povera dos finais dos anos 60 e a Transavanguardia, infestada de testosterona, da década seguinte”. A arte italiana, de uma forma geral, sempre foi um pouco castrada. O lugar onde o cristianismo conseguiu fincar sua bandeira e o comunismo deixou suas influências vivas permitiu o florescimento de uma produção artística puritana.

Com o corpo nu, Ontani sexualiza. Mas incomoda. Impregnado dos contextos italianos, não mostra a liberdade sem nos lembrar da castração. No ensaio de Cullinan, ele diz: “O corpo para Ontani foi e é uma coisa relacionada com a beleza, para ser celebrada e empregada para o prazer, mais que a punição ou a catarse”. Não sei se concordo.

O que é rico em Ontani? A recorrência ao próprio corpo e ao rosto para personificar o mito, a história, o heroico, o prosaico... São maravilhosos os tableaux vivants do artista. Alguns nos lembram o prazer da vida, como defendeu Cullinan.

Outros nos acordam para o transitório da própria existência – a coroa de flores da vida é a mesma da morte.

Ontani também coloca, nas suas obras, questões como a memória. Tanto a história, quanto a pessoal. Pousa como Garibaldi, Napoleão, Shivaji (o deus da guerra na India) e vários outras personalidades ocidentais e deuses orientais.

“Oriente e Ocidente, pagão e cristão, clássico e contemporâneo colidem nesse e em outros trabalhos, que, além de suas erudições, também possuem um inquietante e negro impacto que só poderia ser descrito como um fauxmo-erotic”, aí Cullinan também fala da inquietude do trabalho. Não tão leve, não tão celebrável assim...

sábado, 22 de outubro de 2011

Falece o homem, fica a obra

O moço deixou trabalhos incríveis. Faleceu na última quinta-feira (20), aos 80 anos, por causas naturais: viveu demais, tá na hora de voltar pra cá. O fotógrafo norte-americano Berry Feinstein fez cerca de 500 fotografias para capas de discos que ficaram para a história. Começou, na profissão, enfocando as suas lentes para estrelas do cinema. Somente mais tarde, entrou no mundo da música. Pode-se dizer, sem sombra de dúvidas, que Berry Feinstein foi essencial na construção do imaginário existente, hoje, dos anos 70. Veja abaixo:

O último retrato de Janis Joplin, na década de 70, para o álbum Pearl. Vêem-se cores fechadas, mas contrastantes. J.J. esboça um sorriso leve e feliz. Meses depois, morreria de overdose.


O álbum dos Rolling Stones Beggars Banquet (1968), super kitsch, em que se vê uma casa de banho público pichada e envelhecida:


Uma parceria com Bob Dylan no disco The Times They Are A-Changin (1964). Trocadilho interessante no "The times they are a changing Bob Dylan":


Também fez a capa do disco de estreia dos The Byrds, em 1965, o Mr. Tambourine Man. Foto moderna dos garotos, com lentes fisheye:


Nos anos 70, fez as fotografias dos álbuns solos de Eric Clapton, David Mason e George Harrison. O de George, abaixo, me parece bem macabra. Bem em consonância (ou não) com o título do álbum "All things must pass".


Berry acompanhou Bob Dylan como fotógrafo oficial, em 1966, na famosa digressão facturante do cantor. No tour, capturou as mais conhecidas fotos do cantor, incluídas no documentário "No Direction Home" (2005) de Martin Scorcese. Antes disso, Berry já tinha feito o álbum de Dylan mostrado acima.

Mira:



sábado, 26 de março de 2011

Quem tem medo de Terry Richardson?

That’s the question. O fotógrafo de moda nova iorquino, famoso pelo seu estilo fashion porn de fotografar, não hesita na hora de desglamourizar o mundo dos famosos. Amy Winehouse agarrada numa galinha, Obama com ruguinhas focadas, Cate Blanchett sem a sua classe usual, Dercy Gonçalves surtada e cafona, a nossa Gisele Bündchen sem postura e com um cigarro na mão, Lindsay Lohan lendo as mensagens sensacionalistas que lhe deram fama... São inúmeras as imagens hilárias e escatológicas feitas pelo queridinho do mundo da moda.

No entanto, o perigo do objeto fálico de Terry (a máquina fotográfica) faz a cabeça da high society fashionista. Ninguém tem medo de Terry Richardson. Ao contrário, é luxo, baby, ser fotografado com e pelo garoto stylist que não hesita na hora de também tirar a roupa ao lado de suas modelos. Vale ressaltar que boatos rolam sobre abusos sexuais em estúdio. O próprio Terry confirma o comportamento:

"Primeiramente, eu só queria tirar umas fotos de nudez. Depois, tirei minhas roupas também... Eu até dei a câmera para a modelo e deixei-a me fotografar por um momento. Isso está relacionado com criar uma vibração, deixar as pessoas relaxadas e excitadas. Quando isso acontece, você pode fazer qualquer coisa. Não acho que sou viciado em sexo, mas sou ligado nisso. Talvez seja uma coisa psicológica de quando eu era um menino tímido e, agora, sou esse cara poderoso, dominando todas essas meninas”

Bizarríssimo. Mas, imagine, o que se passa na cabeça dos famosinhos do mundo, paparicados pela imprensa 24h por dia?

Terry nasceu com a receita perfeita para o sucesso: é filho de Bob Richardson, também fotógrafo de moda, e cresceu em Hollywood. Começou a fotografar como assistente do fotógrafo Tony Kent, que conheceu através da mãe.

(A mami)

Trabalhou para designers de moda e editoriais e publica livros periodicamente, como os Hysteric Glamour (1998); Son of Bob (1999); Feared by Men Desired by Women (2000); Too Much (2001); Terryworld (2004); Kibosh (2006); e "Rio, Cidade Maravilhosa" (2007). Nesse último, arrasou no piscinão de Ramos e nas fotos dos gatíssimos Cauã Reymond e Paulinho Vilhena.


(Paulinho lindinho)

(Muita classe no Piscinão de Ramos)

(Dercy Gonçalves. SAUDADES!)

(A princesinha Mary Kate)

(Lindsay Lohan causando)

(No comments about it)

Terry Richardson tem um blog. Lá, ele posta as fotos e os fatos mais recentes. Veja aqui!

quinta-feira, 24 de março de 2011

Realismo Bizarro

Salvem Li Wei, que o cara tá possuído!

Enfrentar os limites do corpo, do horizonte, da percepção, lutar contra a lei da queda livre, da gravidade, do pei-buf é o desafio imposto por Li Wei a ele mesmo. É perfomático. Mas, antes do corpo pender para a esquerda ou direita - ou, por que não? para baixo -, existe a foto. Plec. Tá feito o trabalho. Preciso ressaltar que não. Não há Photoshop. É tudo feito no A + B, no realismo mesmo. Por mais que seja bizarro.

Algumas fotografias atingem as suas impossibilidades através de truques fotográficos que se utilizam de espelhos. Cabos, andaimes e acrobacias (claro!) também são usados.

O artista nasceu em Hubei, China, nos anos 70. Sua primeira série de trabalhos foi "Mirroring". Depois, "Falls", um dos seus últimos trabalhos. Hoje, Li Wei mora em Pequim e é um dos representantes da arte contemporânea de lá.
Massa, né?


(Falls)

(Falls)


(Mirroring)

(Mirroring)

(Mirroring)

quinta-feira, 17 de março de 2011

Neshat


Fotógrafa e videoartista, Shirin Neshat nasceu no Irã, em 1957, numa família de classe média alta. Quando a Revolução Iraniana eclodiu - e vestiu mulheres com sufocantes burcas -, Neshat foi para Los Angeles, Estados Unidos. Foi lá que construiu a sua vida. Mas foi no ano de 1990 que tudo mudou: de volta para o Irã, Shirin se deparou com uma sociedade praticamente desconhecida, já que se deslocou para a América antes de ver as mudanças ocasionadas pela Revolução.

"Essa foi provavelmente uma das experiências mais chocantes que eu tive. A diferença entre o que eu lembrava da cultura iraniana e o que eu via era enorme. A mudança era tão assustadora quanto excitante; eu nunca estive em um país tão enraizado em uma ideologia. Mais perceptível, é claro, era a mudança na aparência física e no comportamento público das pessoas"

A partir do contato com o universo simbólico do seu país-origem, Neshat deu início ao seu primeiro corpo de trabalho, Women of Allah Series, que, a partir do uso imagético de poemas persas e armas, procura, respectivamente, questionar pontos como exílio e martírio e lembrar à sociedade que, por dentro das burcas, a rebelião está viva.




Em seus trabalhos, Neshat analisa a submissão da mulher causada pelo discurso simbólico muçulmano, a união mais estreita entre elas devido à situação opressora e a liberdade em estado latente. Além disso, aborda a complexidade dos contrastes, como a relação homem e mulher, Ocidente e Oriente, luz e sombra, preto e branco.

Além de fotógrafa, Shirin compôs alguns curtas-metragem, como Women Without Men e Zarin. O primeiro aborda a complexidade da união de forças religiosas, políticas e sociais que se impõem sobre as mulheres muçulmanas. Já Zarin, feito recentemente, mostra um aspecto mais amadurecido de Neshat quanto às mulheres árabes, que são mostradas não só como vítimas, mas também como seres dotados de força e humanidade.

Zarin Series

Zarin Series

quarta-feira, 16 de março de 2011

Baba, baby

Jonathan Leder, no mundo digital, ainda usa filmes 35mm. E se volta para a sensualidade americana. Para quem tá acostumado com a beleza androide de Lady Gaga, como definiu a ensaísta e escritora estadunidense Camille Paglia, as fotografias de Jonathan são reveladoras. O que se vê nos corpos fotografados é a concepção americana de que a magreza é bela, mas que o lirismo, a autenticidade e o entre-corpos não podem se perder.


"I don't like when girls are too perfect. I like a girl with character, who has something real about her. I generally prefer to work with American whenever possible, only because I understand their culture and background more, and I think this is important. I also don't like it when the pictures become too much about lighting or the clothes"

Suas fotografias não são "meaningless". Jonathan sempre se preocupou em contar alguma história, fazer as pessoas sentirem algo, se impulsionarem a algum ponto. Daí a sua preocupação de não tornar o seu trabalho "too much about lightining or the clothes". Admite imperfeições, vindas da luz, dos grãos do filme... Mas, sem elas, não haveria beleza.

Jonathan acredita que a vida é mais como um círculo do que como uma linha. Não podemos fugir de nós mesmos.

Quanto às fotos, baba, baby.





Veja mais aqui!